A Renesas ingressou na Autoware Foundation para integrar seus processadores automotivos a uma plataforma aberta de condução automatizada. O trabalho deverá atender desde sistemas de assistência de nível 2 até aplicações de nível 4, nas quais o veículo opera sem motorista dentro de condições predeterminadas.

Renesas integra processadores automotivos ao ecossistema Autoware

Foto: Divulgação

A Autoware reúne ferramentas de código aberto destinadas à percepção, localização, planejamento e controle. Desenvolvedores podem utilizar módulos já disponíveis e concentrar esforços nas adaptações necessárias ao veículo, reduzindo a repetição de trabalhos básicos durante a criação de protótipos e serviços autônomos.

Os processadores R-Car da Renesas executam funções relacionadas a câmeras, sensores e inteligência artificial. A integração permitirá testar o funcionamento do software sobre componentes destinados ao ambiente automotivo, que precisa considerar temperatura, consumo de energia, vibração, vida útil e disponibilidade durante vários anos.

Uma plataforma aberta não significa ausência de responsabilidade. Cada aplicação precisa ser validada conforme o veículo, os sensores e o ambiente de circulação. Alterações no código ou no conjunto eletrônico podem modificar respostas, exigindo ensaios antes que o sistema seja utilizado em vias públicas.

A iniciativa pode reduzir barreiras para universidades, empresas e operadores que não possuem recursos para desenvolver todos os elementos de forma independente. Ao mesmo tempo, a participação de fabricantes de semicondutores ajuda a transformar pesquisas em sistemas compatíveis com produção seriada e requisitos da indústria.

Plataforma aberta aproxima chips e condução autônoma

Montadoras tradicionais utilizam soluções próprias e programas fornecidos por empresas especializadas. A alternativa aberta cria outro caminho, permitindo combinar módulos de diferentes participantes. Entretanto, suporte, atualização, segurança digital e documentação precisam continuar disponíveis durante toda a utilização dos veículos que adotarem a plataforma.

No Brasil, o ecossistema pode apoiar pesquisas e projetos em mineração, agricultura, portos e logística. Empresas nacionais poderiam desenvolver aplicações sobre uma base comum, mas ainda dependeriam de sensores, processadores e componentes importados, além de profissionais capazes de validar sistemas eletrônicos e inteligência artificial.

A entrada da Renesas aproxima hardware e software em um ambiente compartilhado. O avanço da condução automatizada dependerá dessa integração, pois algoritmos precisam funcionar com limites definidos de processamento e energia, mantendo respostas dentro do tempo necessário para controlar um veículo em movimento.