O Sindipeças e a ApexBrasil ampliarão a busca por compradores de autopeças na Turquia, China, Venezuela e nos Emirados Árabes Unidos. A estratégia responde ao aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e procura reduzir a dependência das empresas brasileiras de um número limitado de destinos comerciais.
Tarifas dos Estados Unidos levam fornecedores a ampliar contatos em outros mercados

Uma rodada realizada em São Paulo reuniu 56 fornecedores brasileiros e 20 compradores de nove países. Durante cinco dias, os participantes mantiveram reuniões e realizaram visitas técnicas a 17 fábricas instaladas no País, permitindo que importadores conhecessem processos, capacidade produtiva e sistemas de controle.
Os compradores vieram de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Venezuela. A composição mostra que a América Latina continua sendo uma área de acesso para componentes brasileiros devido à proximidade logística, às relações comerciais e à presença regional de fabricantes de veículos.
As exportações brasileiras de autopeças para os Estados Unidos somaram US$ 905,7 milhões entre janeiro e setembro, aproximadamente R$ 4,86 bilhões pela cotação comercial próxima de R$ 5,37. O resultado representou recuo de 1,7% diante dos US$ 921,8 milhões registrados no mesmo intervalo anterior.
No sentido inverso, as importações brasileiras de componentes provenientes dos Estados Unidos diminuíram 13,7%, passando de US$ 1,87 bilhão para US$ 1,61 bilhão. O movimento equivale a uma redução aproximada de R$ 1,4 bilhão, embora a conversão varie conforme o câmbio utilizado nas operações.
Autopeças brasileiras procuram novos destinos de exportação
Diversificar destinos não significa apenas encontrar compradores. Peças precisam atender normas técnicas, homologações, embalagens, documentação e prazos específicos. Diferenças cambiais e tributárias também interferem na competitividade, principalmente quando fornecedores de outros países oferecem produtos equivalentes com escala, crédito ou menor custo logístico.
A entrada na China representa outro desafio porque o país combina grande produção doméstica e fornecedores integrados às montadoras locais. Empresas brasileiras precisarão identificar nichos nos quais materiais, engenharia ou capacidade de produção apresentem condições para competir, evitando depender somente do preço apresentado ao importador.
A estratégia pode distribuir riscos comerciais, mas exige continuidade após as rodadas de negócios. Visitas, amostras, auditorias e contratos normalmente antecedem o primeiro embarque. O resultado será medido pela transformação dos contatos em exportações recorrentes, capazes de sustentar produção e emprego durante mudanças tarifárias.







