A Alliance for Automotive Innovation pressiona o Congresso dos Estados Unidos para transformar em lei as restrições aplicadas aos veículos conectados associados à China. A entidade representa fabricantes com atuação no país e quer impedir importações, vendas e produção local de automóveis controlados por empresas chinesas.

Montadoras defendem lei que alcance veículos, software, componentes e fábricas

Foto: Pexels-女子 正真

As regras existentes restringem determinados sistemas de hardware e software vinculados à China e à Rússia. As montadoras defendem que a proibição se torne permanente e alcance empresas que tentem ingressar no mercado norte-americano por meio de fábricas, parcerias ou outras estruturas industriais instaladas localmente.

O Connected Vehicle Security Act passou pela Comissão de Comércio do Senado, mas sua tramitação ainda depende de novas decisões legislativas. Os defensores associam o tema à segurança nacional, alegando que veículos conectados podem coletar e transmitir informações sobre condutores, deslocamentos, infraestrutura e ambientes urbanos.

Um automóvel atual produz dados de localização, velocidade, câmeras, assistência ao motorista e funcionamento dos componentes. Parte dessas informações é processada no veículo, enquanto outra pode seguir para servidores. A discussão envolve quem controla o sistema, onde os registros ficam armazenados e como podem ser utilizados.

A China contesta as restrições e afirma que as medidas procuram conter suas empresas, não apenas proteger dados. Fabricantes chineses ampliaram participação em diferentes mercados com veículos elétricos, baterias, software e preços que pressionam montadoras dos Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia do Sul.

Cerco aos carros chineses pode mudar a disputa nos Estados Unidos

A proibição também pode atingir fornecedores. Um veículo reúne milhares de componentes e linhas de software desenvolvidas por empresas de diferentes países. Determinar a origem e o controle de cada sistema exige rastreabilidade, auditoria e critérios capazes de diferenciar participação comercial, propriedade intelectual e acesso a informações.

Para o Brasil, o debate interessa porque empresas chinesas ampliam fábricas, importações e redes de distribuição. Caso os Estados Unidos permaneçam fechados, fabricantes podem intensificar a procura por outros mercados. Esse movimento aumenta a concorrência e exige regras sobre dados, segurança digital, homologação e pós-venda.

A decisão norte-americana mostrará até que ponto segurança e política industrial serão tratadas conjuntamente. Barreiras podem proteger fabricantes locais, mas também reduzir opções e limitar a concorrência. O desafio regulatório está em controlar riscos digitais sem utilizar critérios técnicos como justificativa para impedir toda origem específica.