A Conferência Internacional do Petróleo, realizada pelo Centro de Estudos em Energia e Sustentabilidade da FAAP e pelo Instituto Fernand Braudel, em 26 de março, reuniu importantes especialistas para discutir o ‘Futuro do Petróleo nas Américas’. A platéia reuniu cerca de 250 pessoas, entre especialistas, profissionais da área de petróleo e gás, empresários, governo, técnicos, pesquisadores, estudantes entre outros interessados.
O prof. Tyler Priest, importante pesquisador da área e diretor de Estudos Globais do Bauer College da Universidade de Houston, proferiu palestra sobre ‘O papel histórico do pré-sal na indústria mundial do petróleo’. Durante apresentação, o especialista relatou como a indústria chegou à exploração de águas profundas por meio do desenvolvimento de novas tecnologias que foram surgindo com o passar dos tempos.
Sobre o pré-sal brasileiro, o professor declarou que o grande desafio é desenvolver programas mais rápidos e mais ambiciosos. Em contrapartida, ele alerta: Á medida que a tecnologia se torna mais complexa e tudo sendo feito com mais velocidade, há o risco de que acidentes e imprevistos aconteçam no decorrer da exploração. Priest citou os desastres ocorridos em 1984 quando um vazamento de gás provocou incêndio na plataforma de Enchova, na Bacia de Campos, provocando 37 mortes, e a explosão em uma das maiores plataformas do mundo, a P36, em 2001, também na Bacia de Campos, que culminou com a morte de 10 pessoas.
Christian Mendonça, líder de prática de Oil & Gás da Marsh Brasil – empresa de corretagem de seguros e gerenciamento de riscos – declarou na palestra ‘ Os risco de acidentes, como preveni-los e o curso da maior segurança’, que os acidentes fazem parte do dia a dia do setor, “mas ganha competitividade no mercado global quem melhor souber gerenciar os riscos”.
Entre os desafios destacados pelo setor, acrescentou ele, estão o surgimento de novas fronteiras exploratórias, a logística cada vez mais complexa, o custo alto dos equipamentos, os financiamentos mais caros, as cláusulas de responsabilidade mais extensas e investimentos em aprendizado, tendo em vista que todos os setores sofrem com falta de mão de obra qualificada.
“Todos esses desafios aumentam o custo operacional, e esse aumento é bastante expressivo em relação a décadas atrás. Esse custo, consequentemente, gera maior percepção de risco”. Ele explica ainda que os acidentes diminuíram ao longo dos anos, porém, como os investimentos são cada vez maiores, os acidentes que ocorrem geram mais prejuízos.
Por tudo isso, é necessário que se tenha técnicas de gestão de risco, explica José Pontes, vice-presidente executivo da DNV nas Américas, fundação independente que atua na área de gestão de risco. Usando como exemplo o acidente ocorrido na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, que matou 11 pessoas e causou um dos maiores vazamentos de petróleo da história, o especialista enfatiza a necessidade de se ter uma infraestrutura para resposta imediata em casos de acidentes, sobretudo quando há vazamentos.
Pontes disse que uma série de medidas estão sendo tomadas para evitar grandes desastres. No Brasil, por exemplo, explicou ele, o Plano Nacional de Contingência (PNC) de derramamento de óleo voltou a ser discutido após o primeiro vazamento de óleo no campo explorado pela empresa norte-americana Chevron. No entanto, em estudo há mais de dez anos, o plano ainda não foi aprovado pelo Governo Federal, apesar da perspectiva de aumento na produção de petróleo brasileira.
Durante a palestra “O pré-sal e o papel crítico dos fornecedores”, Rodrigo Souza, diretor da Booz & Company, e Carlos Levy, diretor geral de Energia para a América do Sul da Rolls Royce, reforçaram que um dos gargalhos para o Brasil se tornar mais competitivo na área de óleo e gás é a falta de mãe de obra qualificada. “De imediato, o Brasil terá que importar profissionais capacitados e a solução em longo prazo é o fortalecimento dos ensinos básico e médio e, principalmente, o estabelecimento de institutos técnicos de pesquisa vinculados à indústria”, destaca Souza.
José Moreira, coordenador do Centro Nacional de Referência em Biomassa da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que, mesmo com as novas reservas descobertas, em 2060 o Brasil passará a importar petróleo, já que a vida útil dos poços é de 15 anos. “Apesar da euforia causada pelo pré-sal, o país não deve deixar de investir em fontes de energia alternativas. O etanol, por exemplo, pode ter um preço tão competitivo como o petróleo”, destacou.






