A Universidade Clemson apresentou o Deep Orange 17, protótipo de veículo elétrico desenvolvido para gerar, em um dia de deslocamento urbano, mais energia do que consome. Criado por 16 estudantes de pós-graduação em engenharia automotiva em colaboração com a equipe de pesquisa e desenvolvimento da BMW, o projeto combina células solares integradas à carroceria, construção de baixo peso e controles eletrônicos para investigar uma proposta de mobilidade com menor dependência da infraestrutura de recarga.

Veículo de 550 quilos usa energia solar, regeneração e controle de torque

Divulgação BMW

“Este é um projeto que queríamos desenvolver há anos, então é muito gratificante ver esse grupo de estudantes trabalhar em conjunto nos últimos dois anos, superar tantos desafios e restrições técnicas e dar vida a um veículo com saldo energético positivo”, afirma Stephan Augustin, gerente de Projetos de Pesquisa e Novas Tecnologias da BMW. O desafio apresentado aos estudantes em 2024 partiu de uma questão: seria possível produzir mais energia do que o veículo utiliza nos deslocamentos cotidianos?

Batizado também de Luminetta, o cupê utiliza mais de 1.700 células fotovoltaicas incorporadas às superfícies externas. Dessa maneira, a carroceria capta energia solar tanto durante os períodos em que permanece estacionada quanto em movimento. Os painéis foram desenvolvidos em colaboração com o Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar ISE e continuam produzindo eletricidade quando parte da superfície está sob sombra.

Para avaliar a aplicação da proposta em diferentes condições, os estudantes modelaram disponibilidade de luz solar e condições ambientais em Greenville, nos Estados Unidos, Frankfurt, na Alemanha, Madri, na Espanha, e Mumbai, na Índia. Considerando deslocamentos diários de 20 quilômetros, o sistema produziu energia solar excedente suficiente para proporcionar, em média, outros 50 quilômetros de autonomia nas quatro localidades analisadas.

A redução do consumo também orientou a construção do protótipo. O Deep Orange 17 pesa 550 quilos e emprega um chassi multimaterial que reúne aço estrutural, alumínio, elementos de fibra de carbono e juntas metálicas produzidas por impressão 3D. A carroceria teve como referência características aerodinâmicas do peixe-cofre, enquanto frenagem regenerativa, distribuição de torque e controles do sistema de propulsão trabalham na recuperação e no gerenciamento de energia.

Projeto com BMW explora carro elétrico que produz sua energia

Divulgação BMW

“Foi um projeto com muitos desafios, não apenas para criar um protótipo funcional com saldo energético positivo, mas para demonstrar como um veículo pode se tornar cada vez mais independente em termos de energia por meio da integração solar”, afirma Harsh Manghnani, integrante da equipe Deep Orange e responsável pela integração solar.

A cabine incorpora uma interface desenvolvida para apresentar dados do veículo em tempo real, além de Apple CarPlay e Android Auto. O projeto também funcionou como parte da formação dos estudantes, envolvendo pesquisa de mercado, definição de necessidades, engenharia, fabricação de componentes, software e validação.

As pesquisas com o Deep Orange 17 continuarão no Clemson University International Center for Automotive Research, em Greenville. O protótipo será utilizado como plataforma para estudos relacionados à mobilidade e também tem participação prevista na Consumer Electronics Show de 2027, em Las Vegas.