A Fórmula SAE Brasil encerrou sua 22ª edição com a participação de estudantes responsáveis pelo desenvolvimento completo de veículos de competição em Tatuí, no interior de São Paulo. A competição reuniu cerca de 9 mil pessoas e premiou projetos nas categorias elétrica e a combustão, aproximando universidades, fabricantes e fornecedores da formação de profissionais para a indústria automobilística.

Competição reúne projetos elétricos e a combustão e aproxima universidades de empresas

Foto: Ford Motor Company

O interesse do setor não está concentrado apenas no desempenho dos carros na pista. Cada equipe precisa desenvolver projeto, estrutura, suspensão, sistema de propulsão, eletrônica, custos, cronograma de fabricação e apresentação do negócio.

Essa combinação reproduz etapas encontradas dentro de montadoras e empresas de autopeças. Um projeto precisa funcionar tecnicamente, permanecer dentro das regras, respeitar orçamento e cumprir prazos antes de entrar em produção.

A Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo conquistou a primeira colocação entre os protótipos a combustão. A Faculdade de Engenharia Industrial venceu a categoria destinada aos veículos elétricos, enquanto outras instituições participaram das diferentes avaliações técnicas.

Os projetos elétricos exigem conhecimentos relacionados a baterias, gerenciamento de energia, motores, inversores e sistemas de alta tensão. Nos modelos a combustão, motores, transmissão, refrigeração e eficiência permanecem entre os elementos avaliados.

Fórmula SAE transforma estudantes em engenheiros da indústria

Foto: Ford Motor Company

Independentemente da tecnologia, todas as equipes trabalham com redução de peso, aerodinâmica, segurança, materiais e telemetria.

A competição também funciona como ambiente de recrutamento. Empresas do setor acompanham os participantes porque eles já tiveram contato com desenvolvimento multidisciplinar, solução de falhas e tomada de decisão sob pressão de prazo.

Outro aspecto é a ligação entre universidade e pesquisa aplicada. Soluções criadas para os protótipos podem não chegar diretamente aos veículos comerciais, mas oferecem experiência em engenharia e validação.

A evolução da indústria automobilística aumenta essa demanda. Mecânica, eletrônica e software passaram a dividir espaço dentro de um mesmo veículo e exigem profissionais capazes de trabalhar entre diferentes áreas.

A Fórmula SAE demonstra, portanto, que a formação de engenheiros não acontece apenas nas salas de aula. Projetar, fabricar, testar e corrigir um veículo cria uma experiência que acompanha as etapas encontradas na indústria.