Os fabricantes chineses ampliaram as exportações de caminhões elétricos diante do aumento dos preços do diesel provocado pelas interrupções no abastecimento de petróleo relacionadas ao conflito no Irã. Os embarques de pesados elétricos mais que dobraram em quatro meses, com avanço concentrado principalmente no Sul e Sudeste Asiático.

Alta do diesel reduz tempo de retorno e abre mercados para fabricantes de veículos pesados

Foto: Pexels-Xavier Altimiras

A China exportou 16.823 caminhões elétricos pesados no período analisado, volume superior ao registrado um ano antes. Metade seguiu para países do Sul e Sudeste da Ásia, regiões onde o aumento do custo do diesel modificou o cálculo econômico realizado por transportadores antes da compra.

A diferença aparece principalmente no custo operacional. Um caminhão elétrico exige investimento inicial superior ao de um modelo a diesel, mas pode compensar parte da diferença durante a utilização quando energia, manutenção e quilometragem produzem economia suficiente para reduzir o prazo necessário ao retorno financeiro.

A fabricante Sany estima que compradores de determinados mercados precisavam anteriormente de cerca de 28 meses para recuperar a diferença de investimento. Com o combustível mais caro, esse intervalo caiu para aproximadamente 18 meses, alterando a análise feita pelas empresas responsáveis pelas frotas.

A infraestrutura continua sendo um obstáculo. Caminhões pesados utilizam baterias maiores e exigem pontos de recarga capazes de fornecer grande quantidade de energia. Para enfrentar essa limitação, fabricantes passaram a oferecer também sistemas de geração, armazenamento e carregamento destinados aos clientes que incorporam os veículos.

Caminhões elétricos chineses aceleram exportações na Ásia

A China já possui experiência interna em escala. Caminhões elétricos passaram de participação praticamente inexistente em 2021 para cerca de 30% das vendas do segmento no país, criando volume para fabricantes, fornecedores de baterias e empresas de infraestrutura desenvolverem soluções destinadas posteriormente aos mercados externos.

A América Latina aparece entre as regiões observadas pelas fabricantes chinesas. Para o Brasil, a adoção dependeria de energia, infraestrutura, tipo de operação e custo de aquisição, especialmente em rotas de longa distância, nas quais autonomia e tempo de recarga possuem peso superior ao encontrado em entregas urbanas.

O aumento das exportações demonstra como alterações no preço do combustível podem acelerar mudanças tecnológicas. A eletrificação dos caminhões não depende apenas das metas ambientais, pois transportadores calculam retorno, produtividade e disponibilidade antes de substituir veículos que permanecem anos trabalhando e precisam gerar receita diariamente.