O Brasil registrou 12.156 mortes em acidentes de trânsito no primeiro semestre de 2026, segundo o Painel Estatístico do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O resultado equivale a 67 vítimas por dia e representa aumento de 2,1% ante o mesmo período de 2025.

Acidentes afetam vidas, atividades econômicas e circulação de mercadorias

Foto: Pexels-Rodolfo Gaion

“Os números mostram que a segurança viária ainda é um desafio que exige atuação contínua e integrada”, afirma Claudio Torelli, vice-presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade. Para ele, a prevenção requer identificação de riscos, definição de controles e acompanhamento de indicadores.

Entre janeiro e junho de 2025, o país contabilizou 11.906 mortes. Um ano depois, foram 250 registros adicionais. A taxa no período chegou a 11,35 óbitos para cada 100 mil habitantes, indicador que relaciona o total de vítimas à população.

As consequências não ficam restritas às perdas humanas e aos impactos sociais. Acidentes podem provocar afastamentos, interrupções de atividades, despesas e alterações na circulação de pessoas e mercadorias. Por isso, a gestão do risco viário integra decisões de empresas ligadas ao transporte, à logística, à indústria e aos serviços.

Uma referência para esse trabalho é a ISO 39001, norma que estabelece requisitos para sistemas de gestão de segurança viária. Sua aplicação orienta organizações na identificação dos riscos relacionados aos deslocamentos, no estabelecimento de objetivos e medidas preventivas e no monitoramento dos resultados.

Brasil registra média de 67 mortes por dia no trânsito

A norma abrange entidades com relação direta ou indireta com o sistema viário. A análise pode incluir o comportamento dos usuários, as condições dos veículos, a infraestrutura das vias, o planejamento dos trajetos e os riscos vinculados às atividades executadas durante os deslocamentos.

A proposta é substituir uma atuação concentrada na resposta aos acidentes por um processo de prevenção. Nesse modelo, informações sobre ocorrências, veículos, rotas, pessoas e condições operacionais são utilizadas para determinar controles, responsabilidades e indicadores acompanhados ao longo do tempo.

“Segurança viária não deve ser vista apenas como uma questão operacional. Ela envolve pessoas, processos e decisões que precisam estar integrados à gestão”, acrescenta Torelli. Segundo o executivo, o investimento em prevenção procura reduzir riscos, proteger vidas e contribuir para a continuidade das atividades.

O crescimento das mortes no semestre coloca a segurança viária entre os temas que dependem de acompanhamento por governos, organizações e usuários. Os dados nacionais medem a evolução do problema, enquanto sistemas de gestão oferecem procedimentos para transformar riscos identificados em ações preventivas.