A BAIC definiu a estrutura inicial de produção no Brasil e pretende revelar em setembro o local escolhido para fabricar veículos. A empresa descartou os formatos CKD e SKD no longo prazo e adotará importação peça a peça, com investimento da matriz chinesa e de um parceiro brasileiro.

Fabricante chinesa escolhe parceiro e adotará montagem com peças importadas individualmente

Foto: Divulgação

A decisão foi apresentada durante o Congresso Fenabrave, em São Paulo, e coloca a operação industrial antes da expansão comercial prevista pela companhia. O modelo escolhido procura reduzir efeitos do imposto de importação aplicado aos kits e utilizar uma estrutura produtiva já existente no País durante a primeira etapa.

A montadora ainda não divulgou o valor do investimento, mas informou que representantes da matriz analisam as alternativas levantadas no Brasil. A associação com um parceiro que possua instalações prontas pode reduzir o tempo necessário para iniciar a produção, evitando a construção imediata de uma fábrica integralmente nova.

A BAIC também pretende compartilhar com a Foton um centro de distribuição de peças em São Paulo, embora tenha descartado produzir veículos no mesmo local utilizado pela fabricante de caminhões. A estratégia combina estruturas comuns de logística com operações industriais separadas para atender características diferentes dos produtos.

O plano prevê ainda crescimento do quadro brasileiro para 75 funcionários até o final de 2026, reunindo profissionais administrativos, comerciais e de engenharia. A expansão levará a empresa a procurar uma sede maior do que o escritório atualmente utilizado no bairro da Barra Funda, na capital paulista.

BAIC define estratégia para produzir veículos no Brasil

A construção da rede de concessionárias ocorrerá paralelamente. A empresa trabalha com uma meta de 200 pontos de venda, quantidade que exigirá definição de parceiros, treinamento, distribuição de peças e capacidade de pós-venda antes que a frota ganhe escala e passe a gerar demanda regular por manutenção.

O modelo peça a peça também coloca a nacionalização no centro das etapas seguintes. Importar componentes separadamente pode viabilizar o começo da montagem, mas a consolidação industrial dependerá da capacidade de incorporar fornecedores brasileiros quando volumes, custos, qualidade e homologação permitirem substituir itens trazidos do exterior.

A estratégia da BAIC mostra como fabricantes chinesas procuram caminhos diferentes para produzir no Brasil. A decisão final sobre localização e parceiro indicará quanto da operação será integrada à cadeia nacional e qual estrutura será usada para transformar presença comercial em atividade industrial de maior duração.