A BMW relacionou a redução dos botões físicos nos automóveis à preferência de consumidores com menos de 45 anos por telas sensíveis ao toque e comandos de voz. A explicação recolocou ergonomia, segurança e hábitos digitais no debate sobre a configuração dos painéis automotivos.

BMW relaciona mudança aos hábitos digitais dos consumidores com menos de 45 anos

Texto e Foto: Sérgio Dias

A plataforma Neue Klasse amplia a concentração de funções nas interfaces digitais da marca. Climatização, entretenimento, navegação e configurações do veículo passam a depender principalmente da tela central, enquanto poucos comandos permanecem no console, no volante e nas portas dos automóveis.

As telas permitem reorganizar menus por meio de atualizações e reunir diversas funções sem adicionar interruptores ao painel. Essa arquitetura também facilita a adaptação entre versões e mercados, pois parte das diferenças pode ser definida pelo software instalado, sem alteração do conjunto físico produzido pela fábrica.

Os botões oferecem outra forma de interação. Motoristas podem localizar determinados comandos pelo tato, sem desviar continuamente a visão da estrada. Nas telas, a mesma tarefa pode exigir acesso a menus, leitura de informações e confirmação visual, dependendo da organização adotada pelo sistema.

Comandos por voz procuram reduzir essa necessidade, mas seu funcionamento varia conforme idioma, ruído interno, conexão e reconhecimento das instruções. Um sistema precisa compreender diferentes sotaques e expressões, além de permitir correções quando a função executada não corresponde ao pedido realizado pelo motorista.

Telas substituem botões e reabrem debate sobre ergonomia nos carros

A discussão não precisa resultar na escolha exclusiva entre tela e botão. Fabricantes podem manter comandos físicos para funções utilizadas durante a condução e reservar a interface digital para configurações menos frequentes. A definição depende de testes de usabilidade e comportamento dos usuários.

No Brasil, calor, ruído viário, diversidade linguística e qualidade da conexão devem participar dessa avaliação. Funções de climatização, desembaçamento e áudio são usadas repetidamente. A localização dos comandos interfere no tempo necessário para completar cada tarefa durante deslocamentos urbanos e rodoviários.

A digitalização dos painéis continuará acompanhando a evolução dos veículos conectados. O desafio industrial será organizar telas, voz e controles físicos conforme frequência de uso e segurança. Preferências geracionais ajudam a orientar projetos, mas não eliminam a necessidade de interfaces compreensíveis para diferentes motoristas.