A Honda e a Nissan anunciaram nesta segunda-feira, no Japão, o desenvolvimento conjunto de unidades eletrônicas de controle e de um sistema operacional para veículos definidos por software. As empresas pretendem incorporar a arquitetura compartilhada aos automóveis da próxima geração a partir do ano fiscal de 2029.

Sistema operacional e unidades de controle compartilhadas chegarão aos carros em 2029

Foto: Pexels-Phisek Srinamphon

O projeto estabelece uma base eletrônica comum para organizar funções relacionadas à propulsão, segurança, conectividade e assistência ao motorista. A padronização deverá permitir que cada fabricante mantenha características próprias enquanto divide componentes, códigos e processos necessários para atualizar os veículos durante sua utilização.

Veículos definidos por software concentram diferentes comandos em computadores capazes de receber atualizações remotas. Essa organização reduz o número de módulos independentes, facilita a inclusão de funções depois da fabricação e exige integração entre sistemas que anteriormente eram desenvolvidos e homologados por equipes separadas.

A cooperação permite distribuir despesas associadas à programação, aos semicondutores, aos testes e à segurança digital. O desenvolvimento de uma plataforma própria exige profissionais, centros de dados e validação contínua, pois uma falha pode atingir diferentes funções e permanecer presente durante sucessivas atualizações do veículo.

Honda e Nissan precisarão definir responsabilidades sobre dados, propriedade intelectual e correção de defeitos. Uma arquitetura compartilhada aproxima as empresas tecnicamente, mas também exige regras para evitar que uma vulnerabilidade, atraso ou incompatibilidade produza efeitos simultâneos nos automóveis das duas fabricantes.

Honda e Nissan dividem base eletrônica para veículos conectados

As concessionárias e oficinas também serão alcançadas pela mudança. Diagnósticos dependerão da versão do software, do histórico de atualizações e da comunicação entre módulos. Ferramentas de leitura, treinamento e acesso à documentação passarão a participar de serviços antes concentrados na substituição de componentes mecânicos.

No Brasil, veículos conectados já utilizam atualizações, aplicativos e serviços remotos. Uma plataforma comum pode ampliar a disponibilidade dessas funções, mas exigirá adequação à legislação sobre proteção de dados, conectividade móvel, segurança cibernética e responsabilidade por alterações realizadas depois da comercialização.

A aplicação prevista para 2029 mostrará se a colaboração produzirá escala sem retirar diferenças entre os produtos. O acordo indica que o software passou a ocupar uma posição comparável à das plataformas mecânicas, reunindo fabricantes que continuam concorrendo em outros segmentos.