A SK On assinou um contrato para fornecer células de fosfato de ferro-lítio à empresa norte-americana NeoVolta Power durante cinco anos, a partir de 2027. O acordo direcionará parte da capacidade industrial associada às baterias automotivas para sistemas estacionários destinados ao armazenamento de energia.

SK On direcionará células LFP produzidas nos Estados Unidos para sistemas estacionários

Foto: Pexels-Mad Knoxx Deluxe

O fornecimento previsto alcança 9 GWh e poderá receber outro contrato de igual capacidade. Estimativas de mercado situam a primeira operação em aproximadamente US$ 1,09 bilhão, equivalente a cerca de R$ 5,66 bilhões.

As células serão fabricadas na unidade da SK On no estado norte-americano da Geórgia. A adaptação procura utilizar linhas industriais diante da redução da demanda projetada para determinados programas de veículos elétricos, evitando que equipamentos e trabalhadores permaneçam sem aplicação durante oscilações do mercado.

Sistemas estacionários armazenam eletricidade produzida em períodos de menor consumo ou por fontes intermitentes, como solar e eólica. A energia pode ser utilizada posteriormente por fábricas, centros de dados, residências ou redes de distribuição, conforme capacidade, potência e configuração de cada instalação.

As baterias destinadas ao armazenamento possuem requisitos diferentes dos conjuntos automotivos. Peso e volume exercem menor influência, enquanto vida útil, custo, controle térmico e repetição dos ciclos ganham participação. A célula precisa ser integrada a gabinetes, inversores, sistemas de proteção e equipamentos de combate a incêndios.

Baterias automotivas passam a atender armazenamento de energia

O movimento aproxima as cadeias de veículos elétricos e infraestrutura energética. Fabricantes de células podem distribuir a produção entre diferentes aplicações, reduzindo dependência de um único mercado. Entretanto, contratos estacionários não substituem automaticamente todos os volumes planejados para automóveis, pois possuem especificações e margens próprias.

No Brasil, a mesma integração pode apoiar fábricas, pontos de recarga, condomínios e instalações comerciais. O armazenamento permite administrar horários de maior demanda e complementar geração local, mas depende de regulamentação, tarifas, licenciamento, proteção elétrica e análise do retorno proporcionado por cada aplicação.

A decisão da SK On mostra como a capacidade criada para a eletrificação automotiva pode atender outras partes do sistema energético. A relação entre veículos, recarga, geração e armazenamento deverá influenciar o planejamento das fábricas de baterias durante os próximos ciclos industriais.