A Renault apresentou o Renault 8 Gordini Concept, cupê elétrico de dois lugares criado para reinterpretar o modelo lançado em 1964. Com motor traseiro de 270 cavalos, o protótipo será exibido no Renault Carwalk e depois seguirá para o Salão do Automóvel de Paris, realizado de 12 a 18 de outubro.

Protótipo de dois lugares será exibido no Salão do Automóvel de Paris

Foto: Renault

“Com o Renault 8 Gordini Concept, queríamos despertar emoção recorrendo tanto à nossa herança quanto aos tempos atuais, reunindo os ícones de ontem e do futuro”, afirma Alexandre Malval, vice-presidente de Design da Renault. Segundo o executivo, o projeto não procura nostalgia, mas uma ligação com o interesse pelos automóveis.

O conceito surgiu de uma competição interna na área de design. Mais de 300 desenhos foram apresentados pelos profissionais da fabricante. Duas propostas avançaram para modelos em escala 2:5, permitindo comparar soluções e reunir elementos de ambos os projetos na configuração final, desenvolvida integralmente pelas equipes da Renault.

Foto: Renault

A carroceria mede 4,12 metros de comprimento, 1,88 metro de largura e 1,27 metro de altura. O cupê utiliza rodas de 19 polegadas na dianteira e 20 polegadas na traseira. A distribuição visual procura indicar a posição posterior do motor e a tração traseira, características também presentes no automóvel de origem.

Lançado em 1964, o Renault 8 Gordini utilizava motor traseiro de 95 cavalos e exigia domínio do condutor. O modelo serviu à formação de pilotos, incluindo Jean Ragnotti, e levou a preparação de desempenho a um automóvel de produção antes da difusão dos modelos identificados pela sigla GTI.

Gordini renasce em conceito elétrico criado pela Renault

Foto: Renault

A releitura preserva referências como os arcos de roda retangulares, os retrovisores em formato de concha, a grade próxima ao para-brisa e as seis luzes circulares na dianteira. O nome Gordini recebeu letras redesenhadas, enquanto o emblema com o número oito passou a ser composto por oito segmentos.

As duas faixas brancas deixaram de funcionar apenas como decoração. Elas organizam elementos externos e seguem para o habitáculo, atravessando a parte superior do painel com transição do branco para o azul. A carroceria utiliza uma composição em três camadas inspirada no tom azul associado ao Renault 8 Gordini.

Na cabine, o painel de alumínio escovado sustenta mostradores digitais circulares. Os comandos usam o mesmo material, combinado a áreas revestidas de Alcantara. Bancos do tipo concha recebem tecido cotelê azul no centro, em referência aos assentos do modelo anterior. Um botão de cronômetro aparece no centro do painel.

O projeto adota a abordagem chamada café racer, ligada à retirada de componentes considerados dispensáveis e à exposição dos materiais. Linhas de separação foram reduzidas e o capô pode ser removido em uma peça, solução encontrada em veículos destinados às pistas.

O nome Gordini também possui vínculo com o Brasil. A Willys-Overland do Brasil lançou o Willys Gordini em 1962 sob licença da Renault. O novo conceito integrará o acervo do futuro museu Renault Collections, em Flins, ao lado de veículos, documentos e obras reunidos pela fabricante. A abertura ao público está programada para aproximadamente 15 meses, conforme o cronograma informado pela empresa.