A Camel Group iniciou um projeto de pré-desenvolvimento de bateria de íons de sódio de 12 volts com uma fabricante europeia de veículos. A informação divulgada mostra que a química começa a buscar espaço também nos sistemas auxiliares utilizados pela indústria automobilística.

Camel inicia desenvolvimento com montadora europeia e amplia disputa entre químicas automotivas

Foto: Pexels-Ayyeee Ayyeee

Os sistemas de 12 volts continuam presentes mesmo em veículos elétricos de alta tensão. Eles alimentam controles, iluminação, travas, módulos eletrônicos e outros equipamentos, fazendo com que uma bateria auxiliar permaneça necessária independentemente da tecnologia utilizada para movimentar as rodas do automóvel.

As baterias de sódio procuram reduzir dependência de determinados materiais utilizados nas tecnologias baseadas em lítio. O elemento possui disponibilidade diferente na cadeia de matérias-primas, embora densidade energética, desempenho em temperatura, durabilidade e custo continuem determinando onde cada química poderá competir comercialmente.

A aplicação em 12 volts apresenta condições distintas da bateria de tração. O conjunto auxiliar não precisa armazenar energia suficiente para movimentar o automóvel por centenas de quilômetros, permitindo avaliar tecnologias que talvez não apresentem a mesma densidade exigida pelos grandes pacotes instalados no assoalho.

Para fornecedores, um programa de pré-desenvolvimento representa uma fase anterior ao contrato de produção. Amostras precisam demonstrar capacidade de atender requisitos de funcionamento, segurança e vida útil antes que a montadora decida utilizar a solução em veículos fabricados em grande quantidade durante vários anos.

Bateria de sódio avança como alternativa para sistemas de 12 V

A diversificação das químicas ganhou importância à medida que a eletrificação elevou a demanda mundial por baterias. Lítio-ferro-fosfato, níquel-manganês-cobalto e outras composições atendem necessidades diferentes, enquanto o sódio passa a ser avaliado em aplicações nas quais custo e disponibilidade podem compensar limitações técnicas específicas.

Para o Brasil, a discussão interessa porque a cadeia automotiva precisará atender simultaneamente veículos a combustão, híbridos e elétricos. Todos utilizam sistemas auxiliares, criando um mercado para baterias que não desaparece com a eletrificação e poderá incorporar novas matérias-primas e fornecedores ao longo do tempo.

O projeto da Camel mostra que a transformação das baterias não acontece somente nos grandes conjuntos de tração. Componentes de 12 volts também passam por pesquisa e mudança tecnológica, abrindo outra frente para avaliar como materiais e químicas podem reorganizar uma peça presente nos automóveis há décadas.