A Continental superou as projeções de lucro operacional no segundo trimestre de 2026, apoiada pelo desempenho da divisão de pneus e pela redução temporária dos custos de matérias-primas. A empresa, entretanto, advertiu que os insumos deverão voltar a pressionar os resultados no segundo semestre.

Margem supera projeções, mas matérias-primas devem pressionar segundo semestre

Pexels-Mikebird

A divisão de pneus alcançou margem operacional ajustada de 15,3%, acima da meta anual situada entre 13% e 14,5%. O desempenho ocorreu mesmo com volumes menores e produção global de veículos abaixo do ritmo esperado.

Pneus utilizam borracha natural, borracha sintética, aço, tecidos, sílica e produtos derivados do petróleo. Alterações nos preços desses materiais alcançam o custo antes que a empresa consiga rever contratos ou valores de venda.

No primeiro semestre, a queda de alguns insumos contribuiu para o resultado. A Continental espera uma reversão dessa condição nos meses seguintes, com impacto sobre a rentabilidade.

A demanda por pneus não depende apenas da produção de veículos novos. O mercado de reposição atende a frota em circulação e pode sustentar as vendas mesmo quando montadoras reduzem suas linhas.

Continental cresce em pneus e alerta para alta de custos

Pexels-Mikebird

Veículos maiores, elétricos e de maior desempenho exigem produtos com características relacionadas a peso, torque, ruído e resistência ao rolamento. Essas especificações modificam os compostos e os processos industriais.

A empresa passa por uma reorganização voltada a concentrar atividades no negócio de pneus. A venda da divisão ContiTech, ligada a produtos de borracha e plástico, integra essa mudança estratégica.

Para 2026, a Continental projeta vendas entre 13,2 bilhões e 14,2 bilhões de euros, excluindo a unidade negociada. A margem operacional ajustada esperada fica entre 12% e 13,5%.

O setor acompanha também os efeitos dos custos de energia e transporte. Pneus possuem volume e peso que tornam a logística uma parcela relevante da distribuição internacional.

A reciclagem e a utilização de materiais alternativos passaram a integrar os programas das fabricantes. Essas iniciativas procuram reduzir dependência de insumos e atender metas ambientais, mas exigem testes de segurança e durabilidade.

O resultado do trimestre mostra que o mercado de reposição pode compensar parte da redução na produção automotiva. A advertência sobre matérias-primas, porém, indica que margens e preços continuarão sujeitos às condições da cadeia global.