Os fornecedores automotivos alemães ampliaram seu nível de endividamento e passaram a gastar com juros um valor médio equivalente a 102% do resultado operacional em 2025, segundo estudo da Strategy&, braço de consultoria da PwC. Os dados divulgados mostram uma situação diferente daquela encontrada entre concorrentes de outras regiões da Europa e da China.

Juros equivaleram a 102% do lucro operacional médio de empresas analisadas

Pexels-Trishin Rambajan

O levantamento inclui empresas como ZF, Continental e Schaeffler e mostra aumento das despesas financeiras pelo quarto ano consecutivo.

A situação ocorre enquanto os fornecedores precisam financiar a transição entre tecnologias. Empresas continuam produzindo peças para motores a combustão e, ao mesmo tempo, investem em motores elétricos, inversores, software, chassis e sistemas eletrônicos.

Manter essas frentes simultaneamente aumenta a necessidade de capital. Se os novos produtos não alcançam os volumes esperados, o investimento leva mais tempo para retornar.

A concorrência chinesa acrescenta outro fator. Segundo a análise, a diferença de custos entre fornecedores alemães e chineses aumentou entre 2019 e 2025.

Dívida pressiona fornecedores da indústria automotiva alemã

Pexels-Trishin Rambajan

Montadoras também pressionam os preços das peças enquanto procuram reduzir o custo final dos veículos. Esse processo limita a capacidade dos fornecedores de repassar aumentos de energia, matérias-primas e salários.

A indústria alemã possui ainda fábricas e estruturas desenvolvidas em períodos de volumes maiores. Quando a produção cai, os custos fixos são distribuídos por menos componentes.

O nível de capital próprio representa outro indicador. Empresas alemãs analisadas apresentaram uma proporção média inferior à dos concorrentes, aumentando sua exposição aos juros e ao refinanciamento.

Fornecedores ocupam uma posição necessária na indústria. Uma montadora depende de centenas de empresas para receber bancos, freios, transmissões, sistemas elétricos e componentes eletrônicos.

Uma crise prolongada nessa cadeia pode provocar consolidação, venda de divisões ou encerramento de unidades.

O quadro alemão também merece atenção no Brasil porque diferentes empresas analisadas mantêm operações industriais no País.

A pressão financeira mostra que a transição automobilística não afeta apenas fabricantes de veículos. Fornecedores precisam adaptar tecnologias enquanto preservam caixa suficiente para financiar fábricas e contratos que podem levar anos até atingir escala.