A BYD iniciou no Brasil uma nova etapa de sua estratégia industrial ao produzir em Camaçari, na Bahia, um sistema híbrido plug-in capaz de utilizar eletricidade, gasolina ou etanol. A tecnologia foi desenvolvida durante dois anos por equipes brasileiras e chinesas, com investimento de R$ 100 milhões, para atender às características energéticas e de utilização encontradas no mercado nacional.

Tecnologia desenvolvida para o Brasil combina eletricidade, gasolina e etanol

Foto: Mateus Dias

O movimento representa mais do que a introdução de uma configuração de propulsão. Ele coloca o etanol dentro dos programas de eletrificação e amplia a participação da engenharia brasileira no desenvolvimento de soluções destinadas a veículos produzidos no país.

O sistema híbrido plug-in combina uma bateria recarregável externamente com um motor a combustão. Dependendo da carga disponível e das condições de uso, o veículo pode circular utilizando eletricidade, acionar o motor térmico ou integrar as duas fontes de energia.

A utilização do etanol acrescenta uma característica relacionada à matriz brasileira. O país possui produção, distribuição e experiência industrial acumulada com o combustível, empregado há décadas em automóveis flex.

A fábrica de Camaçari iniciou suas operações em outubro de 2025 e integra um programa de investimentos de R$ 5,5 bilhões. A fabricante pretende produzir 180 mil veículos em 2026 e elevar a participação de componentes nacionais para mais de 50% até janeiro de 2027.

Híbrido flex amplia nacionalização da indústria automotiva

Foto: Mateus Dias

A nacionalização envolve baterias, peças estruturais, sistemas elétricos, componentes mecânicos e serviços de logística. Para alcançar o percentual planejado, a empresa precisa homologar fornecedores, adaptar processos e manter padrões definidos para cada componente.

A produção local também pode reduzir a exposição aos custos de importação e às alterações cambiais. Entretanto, parte dos sistemas utilizados em veículos eletrificados continua concentrada em cadeias internacionais, principalmente células de bateria, semicondutores e eletrônica de potência.

O projeto reúne eletrificação e biocombustíveis em um momento no qual fabricantes procuram diferentes caminhos para reduzir o consumo de combustíveis fósseis. A solução brasileira não depende de uma única fonte de energia e pode atender motoristas que ainda não possuem acesso frequente a carregadores.

A continuidade dependerá do custo de produção, da origem das peças, da rede de assistência e da aceitação dos consumidores. O início da fabricação mostra, porém, que a eletrificação brasileira pode incorporar tecnologias desenvolvidas de acordo com a infraestrutura e os combustíveis disponíveis no país.