A KDDI e a Michinori iniciarão no Japão testes de inteligência artificial para controlar a qualidade da comunicação utilizada por ônibus autônomos. O projeto pretende ajustar os recursos da rede conforme rota, cobertura e necessidade operacional, reduzindo interrupções durante o deslocamento dos veículos.

Teste japonês ajustará a comunicação móvel conforme rota e condições da rede

Foto: Pexels-YEOCHAN LEE

Um ônibus autônomo utiliza sensores instalados no próprio veículo para perceber o ambiente, mas também depende de comunicação para monitoramento, atualização de mapas e contato com o centro de controle. A perda da conexão não pode retirar funções essenciais nem produzir movimentos incompatíveis com a situação viária.

A inteligência artificial deverá analisar o comportamento da rede e distribuir capacidade conforme a demanda. Trechos com menor cobertura, concentração de usuários ou obstáculos físicos podem exigir tratamento diferente. O sistema precisa distinguir uma variação comum de um problema capaz de comprometer o acompanhamento da operação.

O controle remoto funciona como apoio, não como substituto permanente dos sistemas embarcados. Operadores podem receber imagens, alertas e informações sobre a rota, além de orientar procedimentos quando o veículo encontra uma situação não prevista. Essa estrutura exige baixa latência e mecanismos de autenticação.

A comunicação também participa da gestão da frota. Horários, recarga, manutenção e circulação podem ser ajustados a partir dos dados transmitidos. Quanto maior o número de veículos, maior será a necessidade de priorizar mensagens relacionadas à segurança sem bloquear informações utilizadas no planejamento operacional.

Inteligência artificial administrará sinal de ônibus autônomos

Segurança digital integra o teste porque uma rede conectada amplia os pontos de acesso ao veículo. Criptografia, atualização dos equipamentos e separação entre funções operacionais e serviços destinados aos passageiros ajudam a limitar os efeitos de uma tentativa de invasão ou de uma falha técnica.

No Brasil, ônibus autônomos podem aparecer inicialmente em aeroportos, fábricas, universidades, condomínios e corredores delimitados. A qualidade da rede varia entre regiões, fazendo com que redundância, processamento local e procedimentos para perda de sinal sejam definidos antes da abertura de uma operação regular.

A experiência japonesa deverá mostrar como telecomunicações e transporte passam a utilizar uma infraestrutura comum. A condução autônoma não depende somente do veículo: cobertura, centros de controle, protocolos de emergência e disponibilidade da rede também integram o serviço oferecido aos passageiros.