A Circular Autopeças, operação da Stellantis, a Motul e a Lwart estruturaram uma cadeia para transformar óleo lubrificante usado ou contaminado em matéria-prima destinada novamente a lubrificantes automotivos. A iniciativa conecta coleta, rerrefino, formulação e distribuição e amplia a aplicação da economia circular no mercado brasileiro de manutenção.

Stellantis, Motul e Lwart estruturam ciclo que reaproveita lubrificante após o descarte

Foto: Pexels-Gustavo Fring

Os produtos utilizam entre 30% e 70% de conteúdo proveniente do rerrefino, conforme a aplicação. Uma avaliação de ciclo de vida apresentada pelas empresas aponta redução de 77% nas emissões de gases de efeito estufa diante do óleo de primeiro refino utilizado como referência nacional.

Parte do óleo usado é recolhida no Centro de Desmontagem Veicular da Circular Autopeças, em Osasco, São Paulo. A Lwart também realiza coleta em aproximadamente 55% das concessionárias autorizadas Stellantis no Brasil, recuperando perto de 4 milhões de litros por ano dentro dessa estrutura.

Depois da coleta, o material passa por rerrefino para retornar à condição de óleo básico utilizado na fabricação de lubrificantes. O processo permite reaproveitar um resíduo gerado pela própria manutenção automotiva e recolocá-lo na cadeia produtiva, reduzindo a necessidade de utilizar somente matéria-prima proveniente do primeiro refino.

A rede de coleta da Lwart está presente em aproximadamente 70% do território brasileiro e complementa o volume necessário à produção. A Motul responde pela formulação, produção e controle de qualidade, enquanto os canais de distribuição colocam novamente o material transformado em circulação no mercado de reposição.

Óleo usado volta à cadeia automotiva por meio do rerrefino

A expectativa divulgada é comercializar 1 milhão de litros no primeiro ano. Na fase prevista de maturidade, dentro de três anos, a projeção chega a 2 milhões de litros anuais. Inicialmente, a operação terá o Brasil como destino, com possibilidade de expansão para outros mercados sul-americanos.

O modelo demonstra como a economia circular pode funcionar também em itens consumidos durante a vida útil do veículo. Pneus, peças e lubrificantes geram resíduos em processos diferentes, e o óleo apresenta a particularidade de poder voltar à cadeia como base para uma nova formulação após tratamento industrial.

Para o setor automotivo, o desenvolvimento amplia a discussão sobre emissões além do escapamento e da propulsão. A pegada ambiental de um veículo também envolve materiais, fabricação, manutenção e descarte, criando espaço para processos que reaproveitam matérias-primas durante os anos em que o automóvel permanece em circulação.