A Advanced Smart Mobility começou a incorporar aos ônibus autônomos japoneses um sistema da Cerence capaz de reconhecer sirenes de ambulâncias, viaturas policiais e veículos de bombeiros. A tecnologia utiliza inteligência artificial aplicada ao áudio para alertar o sistema de condução antes do contato visual.

Sistema identifica ambulâncias, viaturas e carros de bombeiros antes do contato visual

Foto: Divulgação

Câmeras, radares e sensores a laser observam obstáculos e movimentos no entorno do ônibus. Entretanto, edifícios, curvas e outros veículos podem ocultar uma unidade de emergência. O som atravessa parte dessas barreiras e oferece uma informação adicional sobre uma situação que ainda não entrou no campo visual.

O sistema possui registros de mais de 1.500 padrões de sirenes utilizados em 47 países. Microfones integrados podem reconhecer o sinal a mais de 300 metros, enquanto configurações externas ampliam a distância e ajudam a indicar a direção de onde o veículo se aproxima.

Depois da detecção, o ônibus precisa interpretar o contexto antes de executar uma manobra. Reduzir a velocidade, liberar passagem ou interromper o deslocamento depende da faixa, do cruzamento, dos demais usuários e das normas locais. O áudio informa a presença, mas não substitui os outros sensores.

Ruídos urbanos representam um desafio para a classificação. Buzinas, música, obras, motocicletas e reflexos sonoros podem produzir sinais semelhantes. O modelo precisa separar esses eventos e limitar alertas incorretos, pois frenagens ou desvios sem necessidade também criam riscos para passageiros e demais veículos.

Ônibus autônomos passam a reconhecer sirenes pelo som

A tecnologia exige validação em cada ambiente de operação. Formatos de sirene, intensidade do trânsito e comportamento dos condutores variam entre países. Atualizações do banco de dados precisam acompanhar mudanças nos equipamentos utilizados por ambulâncias, polícias, bombeiros e serviços de atendimento rodoviário.

No Brasil, o reconhecimento sonoro pode apoiar automóveis com assistência ao motorista e futuros veículos autônomos. A aplicação dependerá do registro das sirenes nacionais, da posição dos microfones, da integração com os controles e da definição de respostas compatíveis com o Código de Trânsito.

A adoção nos ônibus japoneses acrescenta a audição ao conjunto de recursos de percepção automatizada. O desenvolvimento mostra que sistemas autônomos precisam interpretar sinais destinados originalmente às pessoas, combinando visão, som, mapas e regras para participar do trânsito.