O RenovaBio movimentou R$ 16,5 bilhões em créditos de descarbonização entre 2020 e 2026 e contribuiu para evitar a emissão estimada de 270 milhões de toneladas de dióxido de carbono. O balanço apresentado nesta quarta-feira, 5 de agosto, mostra o papel dos biocombustíveis na política energética brasileira e também aponta desafios relacionados ao preço e à judicialização dos CBIOs.

Programa amplia participação dos biocombustíveis, mas CBIOs ainda enfrentam ajustes

Pexels-Artem Podrez

Cada Crédito de Descarbonização, conhecido como CBIO, corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente que deixou de ser emitida. Os títulos são emitidos por produtores certificados e negociados na B3.

As distribuidoras de combustíveis possuem metas anuais de aquisição. A quantidade exigida está relacionada à participação de cada empresa no mercado e aos objetivos nacionais definidos para reduzir as emissões.

O programa alcança etanol, biodiesel, biometano e outros combustíveis produzidos a partir de matérias-primas renováveis. A eficiência de cada processo determina a quantidade de créditos que pode ser gerada.

No setor automotivo, a política interfere na disponibilidade e na composição dos combustíveis. Veículos flex, caminhões, ônibus e frotas que utilizam biometano fazem parte do sistema de transporte relacionado a essa transformação.

RenovaBio movimenta R$ 16,5 bilhões em créditos de carbono

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O preço dos CBIOs varia conforme oferta e demanda. Uma quantidade reduzida de títulos diante das metas pode elevar os valores, enquanto maior emissão pode produzir efeito contrário.

A judicialização representa outro ponto. Questionamentos sobre metas, prazos e obrigações criam incerteza para empresas que precisam planejar a aquisição dos créditos.

Os produtores defendem previsibilidade para realizar investimentos em usinas, eficiência e certificação. As distribuidoras avaliam o custo dos títulos e a forma como ele será incorporado à operação.

O RenovaBio também funciona como uma experiência para o mercado regulado de carbono no Brasil. A negociação dos CBIOs reúne metodologias de certificação, acompanhamento de metas e precificação das emissões evitadas.

Para a indústria automobilística, a política reforça a possibilidade de combinar eletrificação e combustíveis renováveis. O país possui uma frota flex e uma rede de distribuição capaz de atender diferentes fontes energéticas.

O volume financeiro alcançado demonstra a escala do programa. O amadurecimento dependerá de regras, estabilidade jurídica, qualidade dos dados e capacidade de equilibrar custos e metas ambientais.