A confiança das empresas japonesas de manufatura melhorou em agosto, apoiada pela demanda por semicondutores, segundo pesquisa divulgada. O movimento interessa à indústria automobilística porque chips permanecem entre os componentes necessários para veículos conectados, sistemas de assistência, eletrificação e controle de produção.

Demanda japonesa cresce e reforça disputa por chips usados em veículos e inteligência artificial

Foto: Pexels-Angel Rondon

Semicondutores são utilizados em funções que vão de gerenciamento do motor e airbags até baterias, inversores, câmeras e multimídia. Quanto maior o conteúdo eletrônico de um veículo, maior tende a ser a quantidade de chips e a diversidade de fornecedores envolvidos no desenvolvimento e na fabricação.

A recuperação da demanda por componentes eletrônicos pode estimular investimentos em fabricantes japoneses, mas também aumenta a competição por capacidade industrial disponível. Automóveis disputam semicondutores com centros de dados, equipamentos de inteligência artificial, smartphones e outros produtos que apresentam margens e ciclos de desenvolvimento diferentes.

A indústria aprendeu durante a pandemia que a escassez de chips pode interromper linhas mesmo quando praticamente todas as demais peças estão disponíveis. Desde então, montadoras passaram a revisar contratos, estoques e relacionamento com fabricantes de semicondutores, buscando maior visibilidade sobre etapas anteriores da cadeia.

O Japão ocupa posição importante nessa estrutura por reunir empresas de materiais, equipamentos, componentes e eletrônica automotiva avançada. A melhora da confiança industrial pode favorecer novos investimentos, embora custos, câmbio e demanda externa continuem interferindo na capacidade das companhias de ampliar produção e contratar trabalhadores.

Semicondutores voltam ao centro da estratégia automotiva global

Para o Brasil, a dependência de semicondutores importados permanece relevante. Veículos produzidos localmente utilizam módulos que incorporam chips fabricados em diferentes países, tornando a disponibilidade internacional um fator capaz de afetar cronogramas de montagem, manutenção e fornecimento de peças eletrônicas para o mercado de reposição.

A expansão dos veículos elétricos aumenta ainda mais essa relação. Sistemas de gerenciamento de bateria e eletrônica de potência utilizam semicondutores capazes de operar com tensões, temperaturas e correntes específicas, exigindo componentes desenvolvidos para aplicações nas quais eficiência e segurança possuem papel direto no desempenho do veículo.

O avanço da demanda japonesa por semicondutores mostra que digitalização e eletrificação continuam movimentando setores além das montadoras tradicionais. A capacidade de garantir chips tornou-se parte da estratégia industrial, aproximando a indústria automobilística de áreas antes associadas principalmente à computação, telecomunicações e eletrônicos de consumo.