A distração ao volante aparece como o principal risco percebido por 35% dos 463 motoristas que participaram de uma sondagem realizada no Brasil entre abril e maio de 2026. O levantamento também mostra que as condições e a manutenção dos veículos foram mencionadas por apenas 4%, diferença que expõe como comportamento e estado mecânico recebem níveis distintos de atenção.
Distrações visuais, manuais e cognitivas podem ocorrer simultaneamente

“Muitas vezes, o motorista associa segurança apenas à condução, mas ela também depende da capacidade do veículo de responder adequadamente em situações críticas. E essa resposta começa pelo único componente que toca o solo: o pneu”, afirma Renato Siqueira, gerente de Assistência Técnica da Continental Pneus, fonte do levantamento sobre a percepção dos condutores.
O uso do celular ficou à frente da falta de atenção, citada por 19% dos participantes, e do excesso de velocidade, mencionado por 17%. O resultado acompanha uma classificação publicada em 2020 pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, que colocou a distração entre os desafios da segurança viária.
O celular reúne três formas de desvio da condução: visual, quando o motorista retira os olhos da via; manual, ao tirar as mãos do volante; e cognitiva, quando direciona o pensamento para outra atividade. Essas condições podem ocorrer simultaneamente durante a leitura ou o envio de uma mensagem.
A sondagem também registrou que 93% dos participantes se consideram seguros ou muito seguros ao dirigir. A combinação desse dado com a identificação da falta de atenção como risco indica uma diferença entre reconhecer o problema no trânsito e avaliar a participação das próprias atitudes em situações de circulação.
Celular lidera percepção de risco entre motoristas brasileiros
Os números das rodovias federais dimensionam as consequências dos sinistros. Em 2025, a Polícia Rodoviária Federal contabilizou 72.483 ocorrências, com 83.483 pessoas feridas e 6.044 mortes. O total corresponde a aproximadamente 16 mortes por dia nas estradas federais, apesar da redução observada na comparação com 2024.
A segurança também depende da capacidade do veículo de evitar uma ocorrência ou reduzir seus efeitos. Estudo publicado em 2026 pela comissão das Nações Unidas aponta que controle eletrônico de estabilidade, freios antitravamento e airbags podem participar desse processo. O documento também relaciona inspeções técnicas periódicas ao controle das condições da frota.
No caso dos pneus, calibragem, alinhamento, balanceamento e profundidade dos sulcos interferem no contato do veículo com a via. Desgaste acima do limite reduz a capacidade de escoar água, enquanto pressão inadequada altera a área de contato, a estabilidade e o comportamento durante acelerações, curvas e frenagens.
“O comportamento do motorista continua sendo decisivo para evitar acidentes, mas ele precisa estar acompanhado de um veículo em boas condições e corretamente alinhado”, acrescenta Siqueira. Segundo ele, pneus calibrados, balanceados e dentro do limite de desgaste contribuem para aderência, estabilidade e eficiência nas frenagens.
Na escolha dos pneus, 42% dos participantes apontaram segurança e desempenho como prioridade, enquanto 8% indicaram o preço. Como a consulta foi conduzida no site da fabricante e não adotou metodologia científica, seus resultados representam apenas a percepção dos respondentes, sem permitir projeções para o conjunto dos motoristas brasileiros.







