A norma Euro 7 levará fabricantes e fornecedores a controlar partículas emitidas pelos freios de caminhões, ampliando a regulamentação para além dos gases produzidos pelos motores. O tema ganhou espaço durante a Automechanika Frankfurt e a abertura da IAA Transportation, na Alemanha.

Norma europeia amplia controle para partículas geradas fora dos motores

Foto: Pexels-Gustavo Fring

O desgaste entre pastilhas e discos libera partículas durante as frenagens. A quantidade depende de massa, velocidade, material, temperatura e frequência de utilização. Veículos pesados transportam cargas maiores e precisam dissipar energia, tornando o sistema de freios uma parte do controle ambiental estabelecido pela nova norma.

Fornecedores trabalham com materiais capazes de reduzir o desgaste sem comprometer distância de parada, resistência térmica e duração. Uma alteração na composição precisa passar por testes porque o componente atua em condições distintas. Trânsito urbano, rodovia e descidas prolongadas submetem os freios a esforços diferentes.

Sistemas de frenagem regenerativa reduzem o uso dos componentes mecânicos em veículos eletrificados. Motores elétricos funcionam como geradores durante a desaceleração e devolvem energia à bateria. Os discos continuam necessários para emergências, baixas velocidades e situações nas quais a regeneração não oferece capacidade suficiente.

A utilização reduzida também pode provocar corrosão nos discos. Fabricantes precisam coordenar frenagem regenerativa e mecânica para manter os componentes disponíveis. Software, sensores e atuadores passam a determinar quanto cada sistema participa, considerando estabilidade, carga, temperatura e estado da bateria.

Euro 7 leva emissões dos freios ao desenvolvimento de caminhões

Fabricantes de caminhões questionam parte dos custos e da complexidade introduzidos pela Euro 7. A regulamentação procura reduzir poluentes, mas exige novos ensaios, materiais e controles. O debate envolve o benefício ambiental obtido e os recursos destinados a veículos que continuam utilizando motores a combustão.

No Brasil, o Proconve estabelece limites para emissões dos motores, mas partículas de freios ainda não ocupam posição semelhante à da legislação europeia. Desenvolvimentos realizados para a Euro 7 podem chegar aos fornecedores globais e posteriormente aparecer em veículos ou componentes oferecidos no mercado nacional.

A norma demonstra que a avaliação ambiental está alcançando pneus, freios e outros elementos. Substituir o motor não elimina todas as emissões associadas à circulação. Massa, desgaste, energia e manutenção continuarão participando do impacto produzido pelos automóveis, caminhões e ônibus durante sua utilização.