O governo federal colocou os minerais críticos no centro do pronunciamento realizado para o 7 de Setembro. O tema alcança a indústria automotiva porque lítio, níquel, grafite, cobre e terras raras participam da fabricação de baterias, motores elétricos, semicondutores e diferentes componentes utilizados nos veículos.

Reservas nacionais podem abastecer baterias, motores elétricos e componentes

Foto: Pexels-Volker Braun

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionou as reservas nacionais à soberania, ao desenvolvimento tecnológico e à geração de empregos. A discussão ocorre após o avanço do marco legal destinado aos minerais críticos e estratégicos, que procura organizar políticas para pesquisa, processamento e industrialização desses recursos.

Possuir reservas não garante participação nas etapas de maior valor da cadeia. O minério precisa ser identificado, extraído, separado, refinado e transformado em material apropriado para cada aplicação. Baterias e ímãs exigem especificações químicas, controle de impurezas e regularidade de fornecimento durante diferentes ciclos industriais.

O lítio integra determinados tipos de células recarregáveis, enquanto grafite participa dos ânodos. Níquel pode aumentar a densidade energética, cobre conduz eletricidade e terras raras atendem motores de ímãs permanentes. A composição varia conforme autonomia, custo, segurança e desempenho definidos para o veículo.

A indústria brasileira pode participar como fornecedora de matéria-prima ou avançar para produtos processados, células, módulos, motores e sistemas completos. A segunda alternativa exige pesquisa, energia, equipamentos, escala, profissionais e contratos capazes de sustentar a produção além das oscilações do preço internacional dos minerais.

Minerais críticos aproximam Brasil da cadeia automotiva

O desenvolvimento também precisa considerar licenciamento, consumo de água, recuperação das áreas e relacionamento com comunidades. Uma cadeia destinada à transição energética não elimina os impactos associados à mineração. Rastreabilidade e comprovação da origem passam a integrar exigências de fabricantes, governos e instituições financeiras.

Para as montadoras instaladas no Brasil, uma cadeia regional pode diminuir distâncias e exposição a interrupções externas. Entretanto, conteúdo nacional somente será incorporado quando preço, qualidade, volume e especificações atenderem ao projeto. A proximidade geográfica não substitui validação industrial ou compromissos de fornecimento.

O debate iniciado no 7 de Setembro conecta recursos naturais e política automotiva. A posição brasileira dependerá da capacidade de transformar reservas em conhecimento, materiais e componentes. Sem processamento, o País poderá exportar minerais e importar produtos com maior valor incorporado para utilizar nos próprios veículos.