A Volkswagen iniciou nesta quarta-feira (30) negociações com o sindicato IG Metall, em Hanover, para revisar medidas trabalhistas diante da pressão econômica. A empresa notificou a rescisão de acordos coletivos a partir de 31 de dezembro de 2026, para abrir espaço a discussões.

Empresa e sindicato retomam negociações diante das mudanças no setor automotivo

Foto: Pexels-Lilly Grace

“Nos últimos 18 meses, houve uma mudança maciça no ambiente econômico da indústria automotiva e, portanto, também para a Volkswagen”, afirma Arne Meiswinkel, diretor de Recursos Humanos da Volkswagen. Segundo o executivo, as alterações no mercado possuem caráter estrutural.

A Volkswagen e o IG Metall acionaram a cláusula de reabertura do acordo coletivo para o futuro. O dispositivo permite retomar as negociações quando ocorre mudança nas premissas consideradas no documento firmado em 1º de janeiro de 2025.

A companhia atribui a revisão às tensões geopolíticas, às barreiras comerciais e ao aumento da concorrência de fabricantes chineses que ampliam as exportações para a Europa. Segundo a Volkswagen, esse movimento pressionou os preços e agravou sua situação financeira.

A empresa pretende implementar as medidas do Plano Futuro do grupo para 2030. Os objetivos incluem reduzir despesas administrativas, ajustar custos e utilizar as alternativas disponíveis para diminuir o quadro de funcionários de maneira socialmente responsável.

Pressão de custos leva Volkswagen a renegociar acordos

A garantia de emprego prevista no acordo coletivo para o futuro não integra as rescisões. O documento permanece fora das medidas formalizadas, distinção que preserva suas cláusulas de segurança ocupacional enquanto Volkswagen e sindicato discutem instrumentos coletivos.

Os acordos denunciados continuam produzindo efeitos. Com isso, os empregados não terão alterações imediatas nas condições de trabalho. A notificação estabelece o encerramento no fim do ano e abre uma etapa de negociação antes dessa data.

Outro ponto de divergência envolve a próxima rodada salarial. O IG Metall reivindica aumento de 5%, proposta considerada incompatível pela Volkswagen com a situação da empresa e do setor. A fabricante defende a redução dos custos indiretos.

A reunião marcou o início da revisão, sem produzir mudanças imediatas para os trabalhadores. Volkswagen e IG Metall concordaram em realizar outra rodada de conversas na segunda metade de outubro para avançar sobre os acordos, os custos e as medidas relacionadas ao quadro funcional.