A EnerVenue iniciou na China a produção em escala de baterias de níquel-hidrogênio baseadas em uma tecnologia utilizada anteriormente pela NASA. A startup norte-americana abandonou um projeto no Kentucky depois de concluir que a cadeia chinesa oferecia condições industriais para desenvolver e fabricar o produto por menor custo.
EnerVenue inicia produção de baterias após desistir de uma fábrica no Kentucky

A instalação está localizada em Changzhou e possui automação em aproximadamente 95% dos processos. A empresa pretende alcançar capacidade anual de 250 MWh em 2026 e chegar a 1 GWh no terceiro trimestre de 2027, antes de estabelecer unidades em outras regiões a partir de 2028.
O projeto cancelado nos Estados Unidos previa 450 empregos e aplicação de US$ 264 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 1,35 bilhão. A empresa verificou, porém, que a tecnologia ainda precisava de desenvolvimento e que sua industrialização teria custo superior ao inicialmente calculado.
A operação chinesa deverá empregar cerca de quatrocentas pessoas e exigiu entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, aproximadamente R$ 102 milhões e R$ 255 milhões. A diferença não decorre somente de salários, mas da disponibilidade de fornecedores, profissionais, equipamentos e processos relacionados às baterias.
As baterias de níquel-hidrogênio foram utilizadas em aplicações espaciais devido à capacidade de realizar ciclos de carga e descarga. A EnerVenue procura transferir essa arquitetura para sistemas estacionários, destinados ao armazenamento de energia. O produto não foi anunciado como bateria de tração para automóveis.
Tecnologia da NASA leva startup americana para a China
Mesmo assim, a decisão possui relação com a indústria automotiva. Células, materiais, eletrônica e sistemas térmicos utilizam fornecedores semelhantes aos encontrados na cadeia de veículos elétricos. A concentração dessas competências permite que um projeto seja desenvolvido, testado e modificado sem transferências frequentes entre países.
O caso mostra que incentivos fiscais e disponibilidade de capital não garantem uma fábrica. A produção exige conhecimento acumulado, ferramentas, materiais, serviços técnicos e compradores. Países interessados em nacionalizar baterias precisam desenvolver simultaneamente diferentes elos, pois uma unidade isolada pode continuar dependente de insumos importados.
Para o Brasil, a experiência oferece uma referência sobre industrialização de tecnologias energéticas. O país possui minerais e geração de eletricidade, mas transformar essas vantagens em componentes depende de engenharia, escala, qualificação e fornecedores. A etapa entre a matéria-prima e o produto final determina quanto valor permanece na economia.







