A Toyota registrou uma patente que utiliza o olhar do motorista para selecionar cenas e acionar câmeras externas do veículo, capaz de identificar o ponto observado e produzir imagens sem exigir que o condutor manipule telefone ou equipamento fotográfico.

Patente combina rastreamento ocular e câmeras externas para registrar paisagens

Foto: Divulgação

A proposta combina câmera interna, rastreamento dos olhos, localização e equipamentos externos instalados no automóvel. Quando o sistema identifica interesse prolongado em uma paisagem ou objeto, poderá registrar a cena. Comandos adicionais permitiriam excluir imagens ou impedir fotografias em determinadas situações e locais.

O conceito procura reduzir uma prática que desvia a atenção nas estradas: utilizar o telefone para fotografar enquanto o veículo está em movimento. Mesmo assim, acompanhar a imagem ou selecionar configurações poderá gerar distração. A interface precisará trabalhar sem incentivar o motorista a retirar atenção da circulação.

Câmeras externas já atendem estacionamento, assistência ao motorista e gravação de ocorrências. A patente amplia a possibilidade de utilizar os mesmos sensores para outra finalidade. Compartilhar equipamentos pode reduzir componentes adicionais, embora segurança e entretenimento precisem permanecer separados para evitar interferência entre suas funções.

O registro automático levanta questões sobre privacidade. Pessoas, residências, placas e propriedades podem aparecer nas imagens. Fabricantes terão de considerar armazenamento, autorização, transmissão e exclusão dos arquivos. As regras variam conforme o país e podem limitar o funcionamento em locais públicos ou privados.

Toyota estuda câmera acionada pelo olhar de quem dirige

Patentes não garantem aplicação comercial. A Toyota pode testar o recurso, modificar o projeto ou impedir que concorrentes utilizem a mesma solução. Custos, aceitação, legislação e capacidade dos sistemas embarcados determinarão se a ideia chegará a algum veículo produzido para consumidores.

No Brasil, a utilização precisaria respeitar a legislação de trânsito e as normas de proteção de dados. O motorista continua obrigado a conduzir com atenção. Qualquer função criada para registrar paisagens deve operar sem exigir interação incompatível com o controle seguro do automóvel.

O documento mostra como os sensores internos ganharam novas aplicações. Inicialmente empregados para detectar fadiga e atenção, eles também podem reconhecer gestos e interesses. A expansão exige limites claros, pois a mesma câmera capaz de aumentar segurança pode coletar informações sobre comportamento, deslocamento e preferências dos ocupantes.