A Honda reorganizará o desenvolvimento de veículos na Índia por meio de uma parceria com a Tata Technologies. A fabricante procura reduzir custos e prazos, ampliar o uso de fornecedores locais e criar automóveis alinhados às condições do terceiro maior mercado automotivo mundial.

Parceria com Tata Technologies amplia participação de fornecedores locais nos projetos

Foto: Pexels-Alex Mtz

A empresa japonesa continuará controlando tecnologia, conectividade, assistência ao motorista e requisitos de qualidade. A Tata Technologies participará da engenharia e utilizará sua rede de fornecedores para aproximar projeto, preço e capacidade industrial das necessidades encontradas entre consumidores e fabricantes instalados no país.

Segundo informações obtidas pela Reuters, a Honda pretende reduzir em até 20% os custos e cortar pela metade um ciclo de desenvolvimento atualmente próximo de cinco anos. A fabricante não confirmou esses percentuais, mas informou que está redefinindo sua oferta e buscando equilíbrio entre qualidade e preço.

A mudança altera um método no qual projetos concebidos para Japão ou mercados globais eram adaptados posteriormente à Índia. Essa sequência podia gerar veículos com custo, especificação ou dimensões incompatíveis com o consumidor local, além de limitar a participação dos fornecedores desde as fases iniciais.

O primeiro projeto conjunto deverá ser um utilitário esportivo com menos de quatro metros. Essa medida possui importância tributária e comercial na Índia, onde veículos compactos ocupam parcela do mercado. Um utilitário médio deverá vir posteriormente, seguido por uma tentativa de recuperar espaço entre sedãs.

Honda muda desenvolvimento para reduzir custos e prazos na Índia

O caso demonstra como fornecedores participam das decisões de produto. Uma empresa local não fornece somente peças: pode contribuir com engenharia, materiais, ferramentas e processos. Quando participa desde o início, consegue indicar soluções disponíveis regionalmente e evitar componentes que exigiriam importação ou novas fábricas.

A indústria brasileira possui experiência semelhante na adaptação de plataformas globais. Motores flexíveis, suspensões, sistemas térmicos, materiais e carrocerias receberam desenvolvimento local. A pressão atual está em preservar essa capacidade diante de programas definidos globalmente e ciclos de produto cada vez mais curtos.

A estratégia indiana será medida pelo custo, prazo, qualidade e aceitação dos veículos resultantes. Se funcionar, poderá servir como referência para outros mercados emergentes nos quais uma plataforma global precisa conviver com renda, tributação, infraestrutura e cadeia de fornecedores diferentes.