A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e os desafios para transformar contratações em oportunidades de desenvolvimento profissional pautaram a participação da Talento Incluir no 9º Fórum Diversidade no Setor Automotivo, promovido pela Automotive Business. Carolina Ignarra, CEO da consultoria, levou ao debate dados sobre empregabilidade, promoção de carreira e capacitismo, reforçando a necessidade de incorporar a inclusão à estratégia das organizações.
Carolina Ignarra apresenta dados sobre promoção, capacitismo e gestão inclusiva

“A inclusão de pessoas com deficiência tem que estar na estratégia das empresas. É preciso letrar constantemente as lideranças das empresas, pois líderes não vão conseguir gerir pessoas com deficiência sem saber o que é capacitismo”, afirmou Carolina Ignarra durante o painel “Além das cotas: porque a inclusão de pessoas com deficiência não avança”. A executiva participou das discussões ao lado de representantes do setor reunidos para debater diversidade, equidade e inclusão no ambiente corporativo.
O tema ganhou relevância a partir de dados apresentados pela pesquisa Radar da Inclusão, desenvolvida pela Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil. O levantamento mostra que 67% das pessoas com deficiência que participaram da pesquisa e que estão inseridas no mercado de trabalho nunca receberam uma promoção, embora a maioria esteja há mais de três anos na mesma empresa.
Outro dado destacado durante o encontro aponta que 86% dos profissionais entrevistados afirmam já ter sofrido algum tipo de capacitismo no ambiente de trabalho. Segundo Carolina Ignarra, a permanência desse cenário está relacionada à forma como muitas empresas ainda encaram a inclusão, priorizando o cumprimento da legislação em detrimento de uma política estruturada de desenvolvimento profissional.
Durante sua apresentação, a executiva chamou atenção para a presença de vieses inconscientes que continuam influenciando processos de gestão e relacionamento nas organizações. Entre eles estão percepções equivocadas sobre os interesses, capacidades e expectativas profissionais das pessoas com deficiência. De acordo com a CEO, essas interpretações acabam criando obstáculos que dificultam a construção de ambientes corporativos mais inclusivos.
Inclusão além da contratação entra em pauta no setor automotivo

“A inclusão real pede a criação de indicadores para medir a qualidade da inclusão das empresas, entendendo quantas pessoas com deficiência estão trabalhando na empresa, quantas foram promovidas entre outros indicadores”, destacou Carolina Ignarra. Para ela, acompanhar a trajetória profissional desses colaboradores é parte fundamental da construção de uma política de inclusão que vá além da admissão.
O debate realizado durante o fórum evidenciou que a discussão sobre diversidade no setor automotivo passa por questões relacionadas à permanência, crescimento profissional e desenvolvimento de carreira. Ao reunir especialistas e empresas, o encontro reforçou a importância de ampliar a análise dos resultados das políticas de inclusão, incorporando métricas que permitam avaliar não apenas quantas pessoas são contratadas, mas também quais oportunidades elas encontram ao longo de sua trajetória dentro das organizações.






