A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) divulgou um levantamento sobre roubos e furtos de motocicletas no Estado de São Paulo no primeiro quadrimestre de 2026. O estudo, elaborado pelo Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC), identificou redução de 19,5% nas ocorrências em relação ao mesmo período de 2025, passando de 11.187 para 9.007 registros, ao mesmo tempo em que apontou mudanças entre os modelos mais visados e nas regiões com maior concentração dos delitos.

Levantamento mostra redução das ocorrências, mas mudanças no perfil dos modelos

Divulgação FECAP

“Embora em números absolutos o Estado ainda apresente um valor elevado de ocorrências, uma tendência de queda de ocorrências de roubos e furtos de motos vem sendo verificada desde 2024”, afirma o pesquisador responsável pelo levantamento, professor Erivaldo Vieira.

Entre os modelos mais atingidos, a Honda CG 160 Fan permaneceu na primeira posição, com 1.352 ocorrências, apesar da redução de 27,5% frente ao ano anterior. Na sequência aparecem a Honda CG 160 Titan, com 965 registros e crescimento de 14,2%, e a Honda CG 160 Start, com 639 casos e retração de 12,9%. O levantamento também destacou o avanço da Mottu Sport 110i, que passou de 87 para 180 ocorrências, crescimento de 106,9%, alcançando a sexta posição do ranking.

Segundo a pesquisa, o desempenho da Mottu Sport 110i chama atenção por sua participação entre os modelos mais emplacados do país. A motocicleta, produzida pela indiana TVS Motor Company e introduzida no Brasil em 2022 por meio de uma empresa de locação, ocupa atualmente a quinta posição entre os modelos mais licenciados nacionalmente.

A análise também identificou mudanças nos locais com maior número de ocorrências. A Avenida Presidente Wilson apresentou aumento estatístico de 1.200%, enquanto a Rua Alexandre Dumas registrou alta de 700% e a Rua Platina avançou 500%. Em contrapartida, a Avenida Sapopemba teve redução de 39,3%, a Rua Vergueiro apresentou queda de 75% e a Rua Padre Adelino manteve estabilidade em relação ao ano anterior.

Estudo revela as motos mais roubadas e furtadas em São Paulo

Divulgação FECAP

De acordo com Vieira, parte da redução das ocorrências pode estar relacionada ao comportamento sazonal da economia. “Esse cenário desaquece a atividade econômica de forma geral impactando, por exemplo, a comercialização de peças para reposição, o volume de entregas em domicílio e demais movimentações nas cidades que implicam em redução na circulação de motos”, explica.

O estudo também conclui que os furtos continuam predominando sobre os roubos. Entre janeiro e abril de 2026, os furtos recuaram 15,1%, passando de 8.144 para 6.917 registros, enquanto os roubos diminuíram 31,3%, de 3.043 para 2.090 ocorrências. A pesquisa aponta ainda três tendências: maior incidência sobre motocicletas utilizadas para trabalho, concentração dos crimes em polos econômicos da capital e crescimento das ocorrências em municípios do interior e cidades vizinhas à Região Metropolitana de São Paulo. A metodologia utiliza boletins de ocorrência registrados no Estado, desconsiderando registros incompletos, duplicados ou sem identificação do veículo, além de reconhecer a existência de subnotificação dos casos.