A Stellantis negocia uma cooperação industrial com Huawei e JAC Group para a Maserati, segundo fontes próximas às conversas. O entendimento poderá combinar engenharia italiana, tecnologia digital chinesa e produção em fábricas da Stellantis, enquanto o grupo procura reorganizar a operação da marca durante seu planejamento até 2030.
Conversas com Huawei e JAC envolvem plataforma digital e produção italiana

A negociação considera a utilização da plataforma Harmony Intelligent Mobility, desenvolvida pela Huawei para integrar software, assistência ao motorista e funções da cabine. A JAC contribuiria com engenharia e produção. A Stellantis ainda não confirmou um acordo nem definiu quais veículos poderiam utilizar essa estrutura.
Uma alternativa estudada envolve comercializar o mesmo projeto com identidades diferentes. A JAC poderia utilizar a marca Maextro na China, enquanto a Maserati atenderia outros países. Essa organização permitiria compartilhar componentes e desenvolvimento sem apresentar exatamente o mesmo produto em todos os mercados.
As fábricas italianas de Modena e Cassino aparecem entre as instalações que poderiam receber atividades relacionadas à parceria. A decisão precisaria considerar capacidade, mão de obra, fornecedores e posicionamento. Produzir na Itália também manteria ligação entre a Maserati e o país onde a marca foi criada.
A Maserati registrou menos de oito mil entregas no último ano e apresentou prejuízo operacional de 198 milhões de euros, aproximadamente R$ 1,17 bilhão. A redução dos volumes elevou o custo por veículo e ampliou a necessidade de dividir desenvolvimento, plataformas e componentes com outros projetos.
Stellantis avalia parceria chinesa para reorganizar Maserati
Parcerias desse tipo aproximam fabricantes tradicionais e empresas chinesas em áreas que exigem recursos financeiros e ciclos menores. Entretanto, identidade, controle do software, propriedade dos dados e responsabilidade sobre atualizações precisam ser definidos antes que uma arquitetura compartilhada chegue aos consumidores.
No Brasil, a Maserati atua com veículos importados e volumes limitados. Uma mudança de plataforma poderá alcançar assistência técnica, diagnóstico e fornecimento de peças. Oficinas precisarão lidar com componentes originados de diferentes empresas, mesmo quando o automóvel preservar a marca e a produção italiana.
As conversas mostram que uma cooperação não se limita à redução de custos. Ela redefine quem desenvolve, fabrica e mantém o veículo depois da venda. O resultado dependerá da divisão de responsabilidades e da capacidade de combinar tecnologia chinesa com os critérios industriais adotados pela Maserati.






