O governo dos Estados Unidos colocou em vigor novas sobretaxas sobre parcelas das importações originárias do Brasil, após decisões publicadas nos dias 15 e 23 de julho de 2026. As medidas atingem 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano e podem alcançar máquinas, equipamentos e componentes utilizados por diferentes cadeias industriais.

Máquinas e equipamentos brasileiros podem enfrentar sobretaxa acumulada de 37,5%

O tema interessa ao setor automotivo porque sua cadeia depende de máquinas, sistemas produtivos, peças, componentes metálicos, equipamentos eletrônicos e fornecedores que também operam em outros segmentos da indústria. A aplicação das tarifas pode interferir no custo e na competitividade dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.

A primeira medida estabeleceu uma sobretaxa de 25% para determinados itens brasileiros. A segunda definiu cobrança adicional de 12,5% para produtos de países enquadrados na investigação norte-americana relacionada às cadeias globais de fornecimento.

Quando as duas decisões incidem sobre o mesmo produto, as tarifas são acumuladas e chegam a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, essa condição alcança 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, incluindo máquinas e equipamentos.

Outros 4,7% dos embarques estão sujeitos apenas à tarifa de 12,5%, enquanto 1,9% recebe somente a cobrança de 25%. Cerca de 52,7% das exportações permanecem fora dessas novas sobretaxas e seguem submetidas às tarifas ordinárias norte-americanas.

Tarifas dos Estados Unidos pressionam cadeias industriais

A medida de 25% entrou em vigor em 22 de julho, mas não se aplica a mercadorias que já estavam embarcadas e em trânsito antes dessa data, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho. Esse prazo procura diferenciar os contratos em andamento das novas operações comerciais.

As empresas afetadas precisam avaliar contratos, margens, volumes e destinos alternativos. Parte da cobrança pode ser absorvida pelo exportador, repassada ao importador ou distribuída ao longo da cadeia, dependendo das condições comerciais e do nível de concorrência.

O comércio entre Brasil e Estados Unidos já apresentava redução. As exportações brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% em comparação com o mesmo período de 2025.

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. As novas tarifas acrescentam outro componente de incerteza para empresas que mantêm contratos e produção direcionados ao país.

Para o setor automotivo, o impacto deverá ser acompanhado entre fabricantes de máquinas, autopeças, matérias-primas e equipamentos de produção. Mesmo quando o veículo completo não é diretamente atingido, alterações nos custos e nos fluxos comerciais podem alcançar fornecedores integrados à cadeia.