A tecnologia que avalia a qualidade de combustíveis foi a vencedora do Desafio para a Descarbonização, iniciativa promovida pelo Iveco Group e pelo SENAI-MG. O projeto, desenvolvido por alunos do SENAI Nova Lima, conquistou o primeiro lugar ao propor sensores inteligentes nos tanques de diesel, capazes de monitorar o combustível e indicar, por meio de cores, o nível de adequação para uso. A solução busca evitar o consumo de diesel contaminado e contribuir para operações mais seguras e alinhadas às metas de redução de emissões.
Projetos apresentados mostram caminhos para reduzir emissões no transporte de carga

“Participar desse desafio mostrou que temos a chance de desacelerar o aquecimento global com inovação e colaboração. Todos nós somos vulneráveis às mudanças climáticas, o que torna a transformação urgente e necessária hoje”, afirmou Pedro Henrique Moura da Silva, aluno do SENAI Nova Lima.
A competição mobilizou 5 mil jovens e recebeu mil projetos com potencial de impacto na indústria. Em segundo lugar, o SENAI Araxá apresentou um sistema que captura CO₂ diretamente no escapamento dos caminhões a diesel, utilizando cartuchos de óxido de magnésio, material reciclável e regenerável. Já o terceiro lugar ficou com o SENAI Itabirito, que desenvolveu um sistema de frenagem regenerativa para caminhões pesados, capaz de converter energia cinética em elétrica e armazená-la em baterias.
O processo seletivo envolveu especialistas do SENAI-MG e do Iveco Group. Após uma fase de aceleração, os estudantes apresentaram protótipos impressos em 3D na sede da Iveco Academy América Latina, localizada no SENAI Horto, em Belo Horizonte.
O transporte rodoviário de carga, considerado estratégico para a economia nacional, passa por transformações tecnológicas que buscam eficiência e redução de emissões. “Nesse movimento, a educação assume papel central ao formar novas gerações capazes de transformar o modo de produzir, pensar e agir diante dos desafios da sustentabilidade e da competitividade. O Brasil é o cenário perfeito para esses talentos, já que temos o potencial para aproveitar a diversidade e a abundância de matérias-primas renováveis e inovar. Só quando conectamos conhecimento com propósito, temos o verdadeiro impacto da transformação”, destacou Marcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina.
Iveco Group e SENAI-MG mobiliza jovens em busca de soluções sustentáveis

Para Lucilene Carvalho, gerente de Sustentabilidade do Iveco Group, o desafio reflete os debates da COP30. “Estamos concretizando o que a COP30 promoveu em fóruns, que é a implementação dos planos. Acompanhamos jovens transformando ideias em propostas concretas. Outro ponto tratado com frequência na conferência foi o desenvolvimento não só de conhecimento técnico, mas também de habilidades como comunicação, colaboração e visão para transformar. A terceira frente é mobilização. Mobilizar milhares de estudantes, de diferentes escolas e realidades, foi integrar mais gente nessa jornada — e isso dá escala e impacto reais ao que estamos construindo”.
O motor, peça central para a descarbonização, também foi tema de destaque. Carlos Tavares, presidente da FPT para a América Latina, ressaltou o papel da educação. “Adotamos projetos como o Educar FPT no nosso centro de treinamento em Sete Lagoas, onde fica o maior complexo da empresa no mundo, e vemos futuros serem transformados. Nós também somos movidos por essas novas ideias. Nesse momento em que completamos 25 anos no Brasil, lideramos diversos projetos dentro da nossa estratégia multienergética, com investimentos em gás natural e biometano. E queremos que as futuras gerações continuem inovando”.
O desafio, realizado entre agosto e outubro, demonstrou o alcance da mobilização e a diversidade de propostas. Os alunos exploraram temas como economia circular, pegada de carbono e segurança, sempre com foco em reduzir emissões e acelerar a transição energética. “O legado é a grandiosidade da mobilização. Esperamos que os futuros profissionais desenvolvam projetos com foco na descarbonização para os diversos setores da indústria. Inclusive, percebemos que é importante incluirmos esse tema na ementa do curso técnico”, afirmou Ricardo Aloysio, gerente de Educação e Tecnologia do SENAI-MG.