A Solera e a Verisk conectaram o primeiro registro digital de sinistro ao sistema utilizado por oficinas no Reino Unido. Fotografias e informações enviadas pelo segurado passam diretamente para a plataforma de orçamentação, permitindo que o reparador avalie danos e prepare o serviço antes da chegada do veículo.

Integração entre seguradoras e reparadores antecipa análise, peças e mão de obra

Foto: Pexels-El Jundi

O processo tradicional pode exigir que o consumidor forneça informações em etapas diferentes para seguradora, reguladora e oficina. A repetição aumenta o tempo entre o acidente, a autorização e o reparo. Com a integração, os mesmos arquivos acompanham o atendimento e ficam disponíveis aos participantes autorizados da operação.

Quase três mil reparadores que utilizam a plataforma Audatex podem acessar as imagens recebidas no primeiro aviso de sinistro. A oficina consegue realizar triagem, estimar ocupação, identificar peças prováveis e reservar profissionais. A avaliação definitiva, contudo, continua dependendo da inspeção física e dos procedimentos definidos pela seguradora.

Fotografias ajudam a reconhecer componentes externos, mas podem não revelar danos estruturais, mecânicos ou eletrônicos. Sensores instalados atrás de para-choques também exigem diagnóstico depois de impactos. Por isso, automação e análise antecipada devem orientar o processo sem substituir medições, desmontagem e verificação técnica quando necessárias.

A integração depende ainda de qualidade das imagens, identificação correta do veículo e proteção dos dados pessoais. Placas, localização, documentos e circunstâncias do acidente podem acompanhar o registro. Seguradoras e fornecedores precisam limitar acesso, definir prazos de armazenamento e manter rastreabilidade sobre o uso das informações.

Imagens do acidente chegam à oficina antes do veículo danificado

No Brasil, a conexão entre seguradoras, reguladoras, oficinas e distribuidores poderia reduzir períodos de espera por orçamento e componentes. A diversidade da frota, entretanto, exige catálogos atualizados. Um erro na identificação da versão pode levar à encomenda de peça incompatível e ampliar o tempo de imobilização.

O avanço de câmeras, inteligência artificial e bancos de dados permite classificar danos e estimar reparos, mas também cria responsabilidades. Sistemas precisam informar margens de incerteza e encaminhar situações complexas para análise humana. Decisões automáticas inadequadas podem afetar segurança, indenização e qualidade do serviço executado.

A digitalização do sinistro mostra como o tempo de reparação começa antes de o automóvel entrar na oficina. Compartilhar informações uma única vez pode eliminar etapas administrativas, desde que os dados circulem com consentimento e precisão. A eficiência dependerá da conexão entre tecnologia, peças e capacidade operacional.